Erisvaldo de Araújo
Sandra Pazzini
“... O rádio é o jornal dos que não sabem ler, é o mestre de quem não pôde ir à escola, é o divertimento gratuito dos pobres, é o animador de novas esperanças, o consolador dos enfermos, o guia dos sãos, desde que o realizem com espírito altruísta e elevado”.
Com essas palavras, o educador, escritor e antropólogo EDGAR ROQUETTE PINTO inaugurava a primeira estação radiofônica no Brasil, a PRA-A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
Em 1993 iniciou-se na cidade de Mauá, mais precisamente no Jardim Zaíra, um movimento organizado por Valmir Maia da Silva para montagem de uma rádio. Sua motivação era o fato da cidade não dispor de nenhum veículo de radiodifusão, o que tornava Mauá “refém” da “grande mídia”, que divulgava, na maioria das vezes, notícias desfavoráveis à cidade. O envolvimento da comunidade, entidades e comerciantes locais foi crucial para dar vida a este projeto, e então foi criada a RÁDIO Z FM, à época denominada como comunitária, pois o objetivo era trabalhar a comunicação sócio-político-econômica e assuntos específicos da cidade.
1º estúdio da rádio de 93 a 98
Apesar do sucesso inicial do projeto, a Rádio Z FM foi chamada, pejorativamente, de “rádio pirata”, em uma campanha nacional contra este tipo de iniciativa movida pela grande mídia.
De 93 a 98 a batalha da Rádio Z foi diária, na busca pela legalidade, na luta pela democracia na comunicação e também na prestação de serviços à comunidade. Valmir Maia e outros participantes empenharam-se pela regularização das rádios comunitárias no país, e tiveram fundamental importância na filiação e participação do Conselho Regional de Comunicação Comunitária do ABC.

Embalados pelos movimentos regionais e nacionais pela democratização da comunicação no país, Valmir Maia e outros militantes fundaram, no dia primeiro de março de 1997, a Associação Comunitária, Ecológica, Educativa e Cultural “Z”, que tinha como principais objetivos oferecer oportunidade para difusão de idéias, elementos de cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade e também desenvolver o espírito comunitário e solidário segundo os princípios humanistas. Suas prioridades: lutar pela defesa da vida em todas as suas manifestações, sejam elas de caráter cultural, educacional ou social, sempre dentro dos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos; lutar contra todos os tipos de discriminação, marginalização e preconceitos; promover um canal de amizade, solidariedade e comunicação entre associados e demais entidades congêneres; elaborar campanhas de divulgação de seus objetivos à sociedade em geral; colaborar com entidades atuantes na área social; prestar serviços de utilidade pública à comunidade, incentivando o convívio social; integrar-se aos serviços de Defesa Civil sempre que necessário ou solicitado.
No dia 19 de fevereiro de 1998 é aprovada a lei de nº 9612, que autoriza a radiodifusão comunitária. Valmir sai em busca de apoio para conseguir a AUTORIZAÇÃO DE SERVIÇO DE RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA NA CIDADE DE MAUÁ. Foram colhidas 192 assinaturas de lideranças que representavam os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário de Mauá, além de praticamente todas as entidades sociais da cidade com atuação de destaque na época. Até o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – e que na época era Presidente de Honra do Partido dos Trabalhadores - assinou o manifesto de apoio.
Como para obter a autorização a rádio não poderia estar em funcionamento, a Associação Z decidiu desativá-la entendendo que após a aprovação da Lei 9612 a manutenção da rádio no ar se caracterizaria como um ato ilegal. Em 23 de setembro de 1998, a Associação Z protocolou no Ministério das Comunicações uma solicitação de demonstração de interesse para o serviço de radiodifusão comunitária, acreditando que em poucos meses a solicitação seria atendida, o que não ocorreu.
A autorização para operar saiu finalmente no dia 16 de Dezembro de 2006, 14 anos após o início do projeto. A Rádio Z FM foi oficialmente ao ar na freqüência 87,5 FM.
A Associação Comunitária, Ecológica, Educativa e Cultural “Z” tem, através da rádio, prestado relevantes serviços à cidade de Mauá, com informações, entretenimento, divulgação da cultura e artistas regionais, educação e utilidade pública.
A Z FM é agora uma realidade, e a nossa responsabilidade é perpetuar a gestão democrática e a construção de um trabalho diário baseado na confiança, participação e envolvimento de todos os cidadãos de Mauá.
Fotos das instalações atuais da Rádio Z FM
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